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Para criadoras6 min

Como começar a fazer UGC em Portugal

Não precisas de seguidores nem de câmara profissional. Precisas de três vídeos para mostrar, de som limpo e de perceber o que uma marca está mesmo a comprar.

Criadora a segurar um creme de rosto à câmara, em casa e com luz natural.

Recebemos candidaturas todas as semanas de criadoras que julgam estar a candidatar-se a ser influencers. Não é a mesma coisa, e perceber a diferença é o que convém fazer antes de gravares o que quer que seja.

UGC quer dizer conteúdo criado por utilizadores, e na prática é vídeo que gravas para uma marca usar como se fosse dela, nos anúncios, na página de produto ou nas redes sociais. Não vai para o teu perfil, muitas vezes nem sequer leva o teu nome, e é por isso que o número de seguidores que tens conta pouco. Quem contrata está a comprar o vídeo, não a tua audiência.

O que uma marca está mesmo a comprar

Um anúncio bem produzido custa caro, demora semanas e continua a parecer um anúncio. Um vídeo teu, gravado ao pé da janela da cozinha com o produto na mão, parece uma recomendação. É essa a razão de existir do UGC, e é também a razão de o vídeo ter de parecer feito por ti e não por uma equipa de produção.

Isso muda o que interessa no teu trabalho. Ninguém está à espera de uma imagem de cinema. Está à espera de som limpo, de luz que deixe ver o produto, de te ouvir falar para a câmara sem soares a leitura e de receber o ficheiro no prazo combinado.

O equipamento de que precisas mesmo

A lista é curta e é provável que já a tenhas quase toda em casa.

  • Um telemóvel dos últimos anos. Gravar em 4K a 30 fps chega e sobra.
  • Uma janela grande. A luz natural do meio da manhã ou do fim da tarde resolve mais do que qualquer aro de luz.
  • Um tripé barato, ou uma pilha de livros e um elástico, para o plano não tremer.
  • Um sítio silencioso. O áudio é o que mais estraga os vídeos de quem está a começar, e o microfone do telemóvel a meio metro de ti já dá um resultado utilizável.
  • Um fundo arrumado, de preferência com alguma coisa viva por trás, uma planta, uma prateleira, uma cozinha a sério.

Os teus primeiros três vídeos

Para te candidatares a seja o que for vais ter de mostrar trabalho, e ninguém te dá o primeiro trabalho para tu teres trabalho para mostrar. Resolve-se a gravar por tua conta, com produtos que já usas e que já tens em casa.

Escolhe três produtos diferentes e grava um vídeo para cada um, em formatos diferentes, porque quem te vê quer perceber se sabes fazer mais do que uma coisa.

  • Uma demonstração: pegas no produto, mostras como se usa e dizes numa frase o que é que muda.
  • Um testemunho: falas para a câmara sobre o problema que tinhas antes e sobre o que aconteceu depois.
  • Um unboxing ou um vídeo de rotina, em que o produto aparece no meio de uma coisa que farias na mesma.

Grava tudo na vertical, a 9:16, e trata os dois primeiros segundos como se fossem o vídeo inteiro, porque num anúncio é aí que se decide se alguém fica. Começa pelo problema ou pelo resultado, nunca por uma apresentação tua. Na prática, a primeira frase soa a uma destas:

  • Passei três anos a gastar dinheiro em cremes até perceber isto.
  • Se dormes mal, o problema pode não ser o colchão.
  • Ninguém me avisou disto antes de comprar as minhas primeiras sapatilhas brancas.

Repara no que estas frases têm em comum. Nenhuma diz o nome da marca, nenhuma começa por bom dia e todas prometem uma informação que ainda não deste. É esse o trabalho dos primeiros dois segundos.

Como se cobra

O trabalho paga-se à peça, por vídeo entregue, e o preço sobe com quatro coisas: os direitos de uso, o tempo durante o qual a marca pode usar o vídeo, a exclusividade e o número de variações do mesmo guião.

A distinção que mais dinheiro custa a quem começa é a dos direitos. Um vídeo para a marca pôr no Instagram dela vale uma coisa. O mesmo vídeo a rodar em anúncios pagos durante seis meses vale outra, porque vai andar a gerar vendas durante seis meses. Combina isto por escrito antes de gravar, junto com o prazo de entrega e o número de alterações incluídas, e escusas de ter a conversa difícil depois.

Estás a trabalhar por conta própria, por isso vais precisar de passar recibo. A maior parte das criadoras começa com recibos verdes e trata da abertura de atividade no portal das Finanças. Se tiveres dúvidas sobre a tua situação em concreto, vale a pena a meia hora de conversa com um contabilista.

Como entregar os ficheiros

Esta parte não se vê em lado nenhum e é metade da razão para uma marca voltar a chamar-te. O que se entrega é material com que a equipa dela ainda possa trabalhar, e não um vídeo fechado.

  • Vertical, 9:16, em 4K se o teu telemóvel deixar.
  • Sem música, sem filtros e sem legendas coladas à imagem. A marca vai querer pôr a música dela e traduzir as legendas, e não consegue fazê-lo se estiverem queimadas no vídeo.
  • O áudio original no ficheiro, mesmo que mandes também uma versão já montada.
  • Os planos extra à parte, o chamado b-roll: as mãos a abrir a embalagem, o produto na bancada, o detalhe do rótulo. É com isto que se montam variações do anúncio sem te ter de voltar a chamar.
  • Ficheiros com nomes que se percebam, do género marca-formato-01.mp4, num link do Drive ou do WeTransfer que não expire na semana seguinte.

Os erros que vemos nas candidaturas

  • Não ter nada para mostrar. Sem trabalho visível não há como avaliar-te, e é a razão número um para uma candidatura não avançar.
  • Mandar um vídeo do perfil pessoal em vez de um vídeo feito para uma marca. São coisas diferentes e nota-se logo.
  • Áudio com eco ou com a televisão ao fundo, num vídeo em que a imagem até estava bem.
  • Ler o guião. Decora a ideia de cada frase e diz-a por palavras tuas, mesmo que tropeces uma vez.
  • Desaparecer a meio. Cumprir o prazo é o que faz uma marca voltar a chamar-te, mais do que o vídeo ser bonito.
Aqui conta o que sabes criar, mais do que o número de seguidores.

Se quiseres trabalhar connosco

Na LM Agency selecionamos as criadoras com critério e não cobramos nada para te juntares. A candidatura tem sete passos, pede o teu perfil e um link com trabalho teu, e se houver encaixe falamos contigo em poucos dias. Encontras tudo na página Para criadoras, no menu do site.

E se leste isto até ao fim e ainda não tens os três vídeos gravados, não te candidates já. Grava-os primeiro, com produtos teus, e volta quando tiveres alguma coisa para mostrar. Estamos a preparar uma mentoria para quem está exatamente nesse ponto, e podes deixar o teu email na página da mentoria para saberes quando abre.

Queres gravar para marcas connosco? Vê como funciona para criadoras.